O Oásis de Pedra: Um Milagre de Verão
Mário Silva (IA)
O sol de agosto castigava os
campos, pintando o céu de um azul profundo onde nuvens espessas rodopiavam num
bailado quase palpável.
Catarina, com as bochechas
intensamente ruborizadas pelo calor inclemente, deixou por momentos a labuta na
encosta dourada, salpicada aqui e ali pelo vermelho vibrante das papoilas
bravas.
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Vestida com os seus belos trajes
tradicionais que insistia em honrar mesmo durante a faina — a blusa branca de
mangas tufadas, o corpete vermelho adornado com delicados bordados florais e a
saia de um amarelo ocre luminoso —, caminhou a passos largos até à sombra
protetora de uma velha árvore de tronco retorcido.
Na cabeça, uma delicada touca de
renda branca protegia-lhe os cabelos escuros do pó e do sol impiedoso.
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O seu destino era o velho
chafariz de pedra rústica, um monumento silencioso que guardava as águas mais
frescas da aldeia.
Sobre a borda de pedra repousava,
paciente, o grande cântaro de barro reluzente que ela viera encher, enquanto um
pequeno cesto de vime aguardava esquecido no topo da estrutura.
Mas antes de levar o peso da água
para casa, a sede falou mais alto.
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Num gesto de profunda reverência
e exaustão, Catarina inclinou-se sobre a bica metálica de onde jorrava um fio
constante de água límpida.
Em concha, uniu as mãos ágeis,
recolhendo o líquido gelado que transbordava por entre os seus dedos em
pequenas gotas cintilantes.
Com os lábios entreabertos, o
olhar focado e uma expressão de absoluto alívio, bebeu.
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O contraste da água gelada com a
garganta seca foi um renascimento imediato, uma cena captada com mestria e
textura marcante, eternizada pelo monograma circular "MS" no canto
inferior direito.
Naquele instante suspenso no
tempo, o mundo inteiro resumiu-se à frescura daquela fonte.
A estafa dissipou-se com o vento
que agitava as folhas.
Revigorada, Catarina preparou-se
para erguer a bilha, levando consigo não apenas a água para a família, mas a
alma saciada pelo mais simples e vital presente da terra.
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Texto & Obra digital (IA): ©MárioSilva
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