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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

"O Sonho do Cão" - Mário Silva (IA)

 

"O Sonho do Cão"

Mário Silva (IA)


Esta obra digital de Mário Silva, intitulada "O Sonho do Cão", é uma ode ao aconchego e à tranquilidade da vida doméstica no Portugal rural.

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A imagem apresenta um interior rústico, evocando a atmosfera de uma casa tradicional transmontana.

No centro da composição, um cão de pelagem dourada repousa serenamente sobre um pequeno tapete, estrategicamente posicionado em frente a uma lareira monumental.

A Lareira: É o coração da imagem, com chamas vivas em tons de laranja e amarelo que iluminam toda a divisão.

Sobre a viga de madeira da lareira, alinham-se objetos decorativos e utilitários, como bules e pratos de metal ou cerâmica.

O Ambiente: As paredes são de pedra irregular e o teto apresenta vigas de madeira expostas, reforçando o caráter ancestral da habitação.

À esquerda, uma cadeira de madeira com uma manta de xadrez convida ao repouso.

Técnica Artística: A obra utiliza um estilo impressionista digital, com pinceladas largas e texturadas que dão volume e movimento à luz.

O contraste entre o calor das chamas e as sombras profundas nos cantos da sala cria uma sensação profunda de conforto e segurança.

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O Reino de Ouro no Planalto

Enquanto o estalar da lenha de azinho compassava o silêncio da sala, o cão já não estava ali. Nas patinhas que tremiam levemente, não havia o chão de pedra fria, mas sim o musgo húmido do Planalto de Monforte.

No seu sonho, ele corria livre, sem coleira ou pressa.

O sol não era o da lareira, mas o sol pálido de inverno que desponta por trás da Pedra Bolideira.

Ele perseguia o aroma da terra molhada e o som distante de uma carroça que subia a ladeira, rangendo com o peso das cebolas colhidas.

No alto do monte, ele via a sua família.

Sentia o cheiro do fumo a sair das chaminés de Águas Frias e ouvia o chamamento dos homens que, entre risos e esforço, cumpriam o ritual da matança.

Ele era o guardião daquele reino de granito e giestas.

No sonho, ele saltava sobre as poças deixadas pela chuva invernosa e sentia o focinho frio ser acariciado por um floco de neve solitário.

Um estalo mais forte da lareira fê-lo abrir um olho por breves segundos.

Viu o brilho do pote de ferro ao canto, sentiu o calor familiar que lhe aquecia o lombo e soltou um suspiro profundo.

O mundo lá fora podia estar gelado, mas ali, entre o fogo e o sonho, ele era o cão mais feliz de Trás-os-Montes.

Voltou a fechar os olhos, regressando depressa ao seu planalto de ouro.

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Texto & obra digital: ©MárioSilva

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