"Procissão do Corpo de Deus"
Mário Silva (IA)
Esta obra digital de Mário Silva,
executada com uma textura vibrante que simula a pintura a óleo impasto, retrata
uma solene procissão na aldeia de Águas Frias, concelho de Chaves, em
Trás-os-Montes.
No centro da composição, sob um
pálio dourado e ornamentado segurado por homens de fato, o sacerdote transporta
o Ostensório.
Dois acólitos com vestes brancas
precedem-no, empunhando incensórios.
O chão da rua estreita de granito
está coberto por um detalhado tapete de flores e ervas que exibe o monograma
religioso "IHS".
Ao fundo, ergue-se a igreja
barroca da aldeia sob um céu azul luminoso, enquanto uma placa de rua em
azulejo confirma a localização.
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O Chão de Pétalas do Corpo de Deus
O sol de junho coze o granito das
quelhas transmontanas, mas hoje o chão sabe a jardim.
É o dia em que o Divino desce ao
nível dos passos mortais, um milagre de cores que vestem a pedra nua.
Mulheres de mãos rudes e corações
devotos dobraram o tempo, colhendo o roxo da alfazema, o ouro da giesta e o
sangue das papoilas para desenhar no chão o alfabeto do sagrado.
"IHS" — três letras que são o mapa do Céu na terra — aguardam a passagem
do Senhor.
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Abrem caminho os acólitos,
pequenos guardiões de vestes brancas, que incensam o ar com aromas de
eternidade.
E eis que avança o pálio, manto
dourado que protege o maior dos segredos: um Deus que se fez pão para habitar
entre nós.
No Ostensório, o sol maior
brilha, abençoando as fachadas de Águas Frias e o restolho dos campos que se
estendem para lá das colinas.
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A procissão avança, um rio de
almas que pisam sobre flores e orações, cosendo com passos devotos o tempo da
colheita ao mistério da fé.
Em Portugal, o Corpo de Deus não
está apenas no altar; Ele caminha connosco, sobre o tapete que o amor do povo
teceu.
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Esta obra utiliza uma textura que
quase nos permite sentir o cheiro do incenso e a aspereza das pétalas secas sob
os pés.
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Na sua opinião, este estilo
texturado e rústico consegue captar a alma das tradições transmontanas de forma
mais autêntica do que uma fotografia nítida, ou a realidade dessas procissões é
mais "limpa" do que esta interpretação?
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Texto & Obra digital (IA): ©MárioSilva
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