quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

“A lebre (Lepus granatensis) na toca” - Mário Silva (IA)

 

“A lebre (Lepus granatensis) na toca”

Mário Silva (IA)


Esta obra digital de Mário Silva é uma representação vibrante e texturizada que emula a pintura a óleo, utilizando uma técnica que remete para o impasto, onde as pinceladas grossas são claramente visíveis, dando volume à neve e à pelagem do animal.

A composição foca uma lebre-ibérica (Lepus granatensis) de olhos atentos e pelagem em tons quentes de dourado e castanho, que contrasta com a frieza do ambiente.

Ela emerge cautelosamente de uma toca escura num talude coberto de neve.

O fundo apresenta uma paisagem de inverno serena, sob um céu do nascer do sol pintado com tons suaves de rosa, laranja e amarelo difuso.

.

Do Pincel à Realidade: O Crepúsculo da Lebre nas Terras Transmontanas

A deslumbrante obra digital de Mário Silva, "A lebre na toca", captura um momento de serenidade e beleza selvagem.

A imagem da lebre, com o seu olhar vigilante a emergir do refúgio invernal, evoca a resiliência de uma espécie icónica dos campos portugueses.

No entanto, esta beleza artística contrasta dolorosamente com a realidade atual nas terras de Trás-os-Montes, onde a lebre-ibérica (Lepus granatensis), outrora rainha das planícies e montes, enfrenta um declínio acentuado e preocupante.

.

O título da obra, simples e direto, remete para o habitat essencial deste animal.

Nas vastas paisagens transmontanas, marcadas por um mosaico de agricultura tradicional, soutos e áreas de mato, a lebre sempre encontrou o ambiente ideal para prosperar.

Contudo, nas últimas décadas, o silêncio tem vindo a substituir a corrida veloz deste leporídeo.

.

As razões para este desaparecimento progressivo em Trás-os-Montes são múltiplas e complexas, formando uma "tempestade perfeita" contra a espécie:

.

O Flagelo das Doenças: O fator mais devastador nos últimos anos foi o aparecimento de uma nova variante da Doença Hemorrágica Viral (RHDV2).

Inicialmente associada apenas aos coelhos-bravos, esta estirpe sofreu uma mutação e passou a afetar as lebres com uma taxa de mortalidade brutal.

Surtos repentinos dizimaram populações inteiras em poucas semanas, deixando os campos vazios.

Alterações no Habitat e Práticas Agrícolas: A paisagem transmontana tem mudado.

O abandono rural levou ao crescimento descontrolado de mato denso, que, embora ofereça refúgio, não é o habitat preferencial da lebre (que prefere áreas mais abertas para detetar predadores e correr).

Simultaneamente, nas áreas onde a agricultura persiste, a intensificação, as monoculturas e o uso excessivo de herbicidas e pesticidas eliminaram as ervas daninhas e a vegetação rasteira que constituem a base da alimentação da lebre, além de poderem causar toxicidade direta.

A Pressão da Predação: Com o despovoamento humano do interior e a diminuição das atividades rurais, houve um aumento significativo de predadores oportunistas, como a raposa e, crescentemente, o javali (que pode predar os lebrachos nas "camas").

O desequilíbrio no ecossistema torna a recuperação das populações de lebres ainda mais difícil.

.

Em conclusão, a obra de Mário Silva serve como um lembrete pungente do que estamos em risco de perder.

A "lebre na toca" não deve tornar-se apenas uma memória digital ou uma relíquia do passado nas terras transmontanas.

A recuperação da espécie exige um esforço concertado na gestão do habitat, na monitorização sanitária e numa gestão cinegética responsável, para garantir que este símbolo da fauna ibérica continue a correr nos campos do Nordeste de Portugal.

.

Texto & Obra digital: ©MárioSilva

.

.

"Árvore velha e seca" e uma estória – Mário Silva (IA)

  "Árvore velha e seca" Mário Silva (IA) A obra digital "Árvore velha e seca", de Mário Silva, é uma peça que utiliza ...