"Dia da Mentira”
Chaves – Portugal
Mário Silva (IA)
A obra digital de Mário Silva, intitulada "Dia da
Mentira” - Chaves - Portugal, apresenta uma interpretação melancólica e
inusitada do mito de Pinóquio, situada num cenário histórico português de
grande beleza.
No centro da composição, Pinóquio, a icónica marioneta de
madeira com a sua clássica gola de marinheiro e laço vermelho, está em pé sobre
a milenar Ponte Romana de Chaves.
O seu nariz, estendido a um comprimento colossal e
exagerado, estende-se por toda a largura da ponte e para além dela, terminando
numa ramificação folhada que quase toca a água do rio Tâmega.
A sua expressão é de profundo pesar e melancolia, olhando
para o chão de paralelepípedos.
Ao fundo, a cidade de Chaves, com o seu castelo medieval e
torre de menagem, ergue-se sob um céu dramático e nublado, refletido nas águas
agitadas do rio.
A pintura é realizada num estilo de arte digital textural
que emula a pintura a óleo com pinceladas visíveis, conferindo uma profundidade
tátil e histórica à cena.
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O Peso da Verdade num Dia de Mentira
A obra de Mário Silva não é apenas uma imagem pitoresca, mas
uma profunda reflexão sobre a mentira e o seu impacto, utilizando o Dia da
Mentira como um palco histórico e cultural.
O título, "Dia da Mentira” - Chaves - Portugal, ancora
a imagem numa data e local específicos, mas o seu tema é universal.
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O Dia da Mentira, celebrado a 1 de abril, é uma data
inusitada no calendário ocidental.
É o único dia em que a mentira e a partida são não só
toleradas, mas socialmente aceitáveis e até incentivadas como uma forma de
humor.
A sua origem mais popular remonta à mudança do calendário
Juliano para o Gregoriano na França do século XVI, quando o Ano Novo foi mudado
de 1 de abril para 1 de janeiro.
Aqueles que continuaram a celebrar o Ano Novo em abril foram
ridicularizados como "tolos" e alvo de partidas.
Esta tradição de "pregar partidas" espalhou-se
pela Europa, incluindo Portugal, onde é comum tentar fazer alguém acreditar em
algo absurdo com um inocente "1 de abril, é mentira!".
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Nesta pintura, Mário Silva subverte a natureza lúdica do
dia.
Pinóquio, o símbolo universal da mentira cujas consequências
são físicas e incontroláveis, não está a rir de uma partida inocente.
Pelo contrário, a sua expressão melancólica e o comprimento
exagerado do seu nariz sugerem o peso acumulado de mentiras que têm
repercussões reais e de grande alcance.
O facto de o nariz se estender sobre a Ponte Romana de
Chaves, um local de passagem pública e de história milenar, sugere que as
mentiras podem ter consequências que persistem ao longo do tempo e afetam a
comunidade.
A ramificação folhada no final do nariz pode ser
interpretada como a forma como as mentiras "criam raízes" e
ramificam-se, tornando-se mais difíceis de controlar.
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A escolha de Chaves como cenário, com a sua arquitetura
medieval e ponte romana, confere à mentira uma dimensão histórica e coletiva.
A mentira não é apenas um ato individual, mas algo que pode
moldar e impactar a história de um local.
A obra torna-se, assim, uma confissão silenciosa e exagerada
da fragilidade humana e da importância da verdade, especialmente num dia que,
ironicamente, celebra o seu oposto.
É uma reflexão poderosa sobre a responsabilidade da palavra
e o peso da mentira, mesmo quando disfarçada de brincadeira.
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Texto & Obra digital: ©MárioSilva
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