"Travessia do rio Douro num barco valboeiro"
Mário Silva (IA)
Esta obra digital de Mário Silva é uma homenagem vibrante à
história e à identidade das gentes do Douro.
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A obra digital utiliza a técnica de impasto digital,
caracterizada por pinceladas curtas, espessas e sobrepostas que criam uma
textura quase tátil, assemelhando-se a uma pintura a óleo clássica de estilo
impressionista.
O Barco e as Figuras: No centro da composição, um
barco valboeiro (típico da zona de Valbom, Gondomar) atravessa as águas do
Douro.
A embarcação transporta um grupo diversificado de pessoas:
homens de fato e chapéu, e mulheres com vestidos de época e chapéus de palha,
sugerindo uma travessia social ou festiva.
Um pormenor curioso é a presença de um cão a nadar ao lado
do barco, conferindo vivacidade e naturalidade à cena.
A Água: O rio Douro é retratado com uma paleta de
azuis profundos, brancos e amarelos, captando o reflexo da luz solar e o
movimento das pequenas ondas provocadas pelos remos.
O Cenário de Fundo: Na margem oposta, observa-se o
casario branco tradicional, com telhados de telha e a silhueta de uma torre ou
igreja, típica das encostas ribeirinhas do Douro.
A vegetação verdejante sobe a encosta, enquadrando a
povoação.
Estilo: A obra não procura o realismo fotográfico,
mas sim a emoção do momento, onde a cor e a luz são os principais narradores.
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O Barco Valboeiro: Um Legado de Fé e Trabalho nas Águas
do Douro
O título da pintura, "Travessia do rio Douro num barco
valboeiro", remete-nos para uma peça fundamental do património fluvial de
Portugal.
O barco valboeiro não é apenas um meio de transporte; é o
símbolo de uma comunidade — a de Valbom, em Gondomar.
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A Alma do Rio
Historicamente, o barco valboeiro foi concebido para a pesca
artesanal, nomeadamente para a captura do sável e da lampreia.
Diferente do robusto Barco Rabelo, o valboeiro é mais ágil e
elegante, adaptado às correntes e às necessidades de transporte local entre
margens.
Na obra de Mário Silva, vemos este barco assumir um papel
social: a travessia de passageiros que, com as suas melhores vestes, parecem
deslocar-se para uma feira, romaria ou visita familiar.
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O Rio como Estrada e Vida
O tema da "travessia" é central na identidade
duriense.
Durante séculos, antes da construção das grandes pontes, o
rio era a estrada que unia as populações.
A pintura capta essa dependência mútua entre o homem e a
água.
O impasto digital de Silva, com a sua textura rugosa e cores
vibrantes, parece dar "corpo" à memória, como se estivéssemos a
observar uma recordação antiga que se recusa a desvanecer.
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O Cão e o Quotidiano
A inclusão do cão a nadar ao lado da embarcação é um toque
de génio narrativo.
Simboliza a vida doméstica que se estendia ao rio — o animal
não é um mero espetador, faz parte da comitiva.
Esta harmonia entre seres humanos, animais e natureza é o
que define o espírito do Douro que Mário Silva tão bem preserva nesta tela
digital.
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Em conclusão, a obra é um hino à resistência cultural.
Num mundo de betão e velocidade, Mário utiliza ferramentas
do século XXI para nos devolver o silêncio do deslizar dos remos e a dignidade
das gentes de Valbom.
O "barco valboeiro" deixa de ser apenas madeira e
torna-se um veículo de nostalgia e orgulho nacional.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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