quinta-feira, 18 de junho de 2026

O Rapaz e o Burreco: A Viagem pelo Vale de Tinta (estória) - Mário Silva (IA)

 


O Rapaz e o Burreco: 

A Viagem pelo Vale de Tinta (estória)


Mário Silva (IA)



Havia um vale escondido onde o mundo não parecia feito de terra e ar, mas sim de grossas pinceladas de cor pura e vibrante.

Ali, debaixo de um céu de um azul profundo onde nuvens brancas rodopiavam num bailado de formas circulares, vivia o pequeno Miguel.

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Naquela manhã, o sol ergueu-se no horizonte como uma gigante roda de fogo e ouro, incandescente e texturada, banhando as encostas de tons quentes, amarelos e alaranjados.

A lareira da sua pequena casa rústica, de paredes brancas e telhado de barro, já fumegava, enviando um fio de fumo claro para o ar.

Do lado de fora, ladeada por dois ciprestes altos e esguios que recortavam as colinas douradas, a vida de trabalho no campo chamava por ele.

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Miguel vestiu o seu colete castanho sobre a camisa de tom claro, ajeitou um chapéu de palha na cabeça para se proteger do sol forte e montou no seu fiel companheiro: um burreco de pelo acinzentado, orelhas espetadas e olhar sereno.

O animal, habituado às rotinas madrugadoras, carregava já um cesto de vime pendurado no flanco, pronto para a longa jornada até à aldeia vizinha.

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— Vamos a eles, Farrusco — murmurou o rapaz, segurando de forma frouxa a corda simples que servia de arreio.

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O caminho de terra batida rasgava um campo de uma exuberância singular, salpicado por dezenas de flores silvestres com intensas manchas cor-de-laranja, amarelo, branco e laivos de roxo, que pareciam quase cintilar à medida que passavam.

Cada passo de Farrusco era cadenciado e paciente, um ritmo vagaroso que contrastava com o turbilhão de luz e a energia expressiva do céu em redor.

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Enquanto o burreco avançava pachorrentamente pelo trilho floral, o rapaz deixou o olhar perder-se na distância.

Miguel tinha uns olhos grandes, escuros e expressivos, carregados de uma melancolia e inocência tipicamente sonhadoras.

Não pensava no peso do cesto nem no cansaço da viagem; pensava antes em como os ventos pareciam desenhar espirais invisíveis lá no alto e como a luz daquele sol descomunal transformava os montes em mares de trigo ondulante.

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A viagem era silenciosa.

Entre o rapaz e o burreco existia uma daquelas cumplicidades rústicas que dispensam qualquer palavra.

O animal conhecia de cor as pedras do caminho, e o rapaz confiava plenamente naquele passo miúdo.

Deixando para trás o conforto do lar e o fumo da chaminé, seguiram em frente, duas figuras simples fundindo-se perfeitamente com a imensidão daquela paisagem viva, pintada a espátula e a sonhos sob a luz matinal.

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Estória & Obra digital (IA): ©Mário Silva

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