A Revolução Engolida
Uma Estória do Celeiro do Mário
Em Valbom, Porto, no famoso
celeiro do latifundiário e pintor digital Mário Silva, um segredo era guardado
por três amigos inseparáveis.
Não eram apenas animais da quinta
comuns; eram os líderes de um sindicato secreto: o "Sindicato dos Animais
de Alta Produção do Celeiro do Mário".
.
Havia Alberto (o porco, à
esquerda), com um focinho que tremia de determinação (e fome), o
"músculo" e especialista em trufas.
Bébé (a ovelha, no meio), a mente
brilhante e pensativa, cujo casaco de lã era tão denso que parecia um casaco
chique, ela era o "cerebral" e estratega.
E Carlos (a cabra, à direita), o espírito
livre, travesso e com os chifres mais impressionantes da região, o
"artista" e especialista em saltar de fardos de feno.
.
Eles estavam a finalizar a sua Lista
de Reivindicações para o Mário.
Bébé, com a sua caligrafia
perfeita, tinha escrito tudo num pedaço de papel.
A lista não pedia coisas normais,
mas sim absurdos: "A introdução de 'fardos de feno saltitantes' para a
hora do recreio", "Um suplemento de trufas obrigatório na nossa ração
diária" (uma exigência de Alberto), e o mais controverso, "A substituição
do rádio do celeiro, que só tocava música de fado antiga e triste, por jazz de
fusão para melhorar a produtividade de lã" (um desejo de Carlos).
.
A luz dourada filtrava-se pela
janela do celeiro, criando um palco dramático para a sua "revolução".
Alberto estava prestes a assinar
com a sua marca de focinho, quando os passos de Mário foram ouvidos na escada
de madeira.
O Mário estava a chegar com as
tintas para começar a pintura do dia!
.
O pânico instalou-se.
Bébé tentou esconder o papel,
Carlos tentou testar a acústica do sino, e Alberto... bem, Alberto decidiu
"comer as evidências".
O porco, com um movimento rápido
e desesperado, agarrou o papel da lista e mastigou-o com voracidade, espalhando
bocados de papel com as palavras "TRUFAS" e "JAZZ" pelo
chão de palha.
.
A ovelha e a cabra recuaram em
horror absoluto!
As suas expressões de choque e
desesperança foram imortalizadas na pintura de Mário Silva, que entrou no
celeiro mesmo quando Alberto estava a mastigar a última parte da pauta.
.
O Mário viu os seus animais a
posar com expressões estranhas e o porco Alberto a mastigar papel.
"Este porco parvo a comer
lixo" -pensou Mário.
Ele não sabia que a revolução dos
seus animais de celeiro tinha sido, literalmente, engolida.
.
A história termina com Mário a
pintar os três amigos com as suas expressões de pânico e desespero, e com
Alberto a mastigar papel sob o seu olhar horrorizado.
O Mário Silva assinou a pintura
com o seu nome e marca d'água, sem saber que o segredo mais bem guardado do seu
celeiro estava agora seguro no estômago do porco Alberto, que, no entanto,
estava secretamente feliz com o seu lanche de papel.
.
Estória & Obra digital: ©MárioSilva
.
.




.jpg)

